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O declínio dos reis do mangue

Autor: Vagner Leonardo Macedo dos Santos Biólogo Marinho e Mestre em Ciências Ambientais e Conservação

O robalo é um dos peixes mais cobiçados pelos pescadores esportivos do Brasil, em virtude, principalmente, da dificuldade de sua captura e pela briga que proporciona, exigindo profundo conhecimento e destreza dos pescadores. Existem várias espécies de robalo pertencentes à família Centromidae, representada por 13 espécies do gênero Centropomus..

O pescador Alexandre Gonçalves, fisgou na boca da barra do Rio Itanhaém na cidade de Itanhaém-SP, um gigantesco Robalo flecha com 1,33m de comprimento e 27,800 kg. O que impressionou foi que o pescador realizou a proeza pescando desembarcado, com o ”pé na areia”, em um local já muito devastado e com grande pressão de pesca por parte de redes de pescadores profissionais.

A maior espécie é o robalo-flecha a espécie de maior porte podendo chegar a 1,5 metros de comprimento e ultrapassar os 25 kg de peso, sendo a espécie mais procurada pelo pescador esportivo

O robalo peva e a segunda maior espécie encontrada em nossas águas podendo chegar a 80 cm de comprimento e ultrapassar 5 kg de peso. Enquanto as duas outras espécies dificilmente ultrapassam os 30 cm de comprimento e 700 gramas de peso. Os robalos são atualmente bastante divulgados pela pesca esportiva, principalmente pelo desenvolvimento do segmento de iscas softs como camarões artificias pelo mercado nacional, que literalmente revolucionou a pesca destes peixes aqui no Brasil. Durante as últimas décadas é visto e documentado um nítido declínio nas populações destes peixes, como também no tamanho de captura e as causas para isso são muitas. Os robalos são muito explorados pela pesca artesanal no sudeste e sul do Brasil, devido à alta qualidade da carne sendo considerada nobre pela gastronomia. Por este motivo, frequentemente os robalos são submetidos a excessivos esforços de pesca devido ao seu elevado valor comercial. E cada vez mais raro ver exemplares de grande porte em nossas águas, principalmente relacionado à pesca indiscriminada durante o período reprodutivo quando formam cardumes. Uma prática de pesca extremamente danosa a estes peixes são os arrastões de praia e o cerco de mergulho, que de uma só vez conseguem matar uma grande quantidade robalos.

Já presenciei em Paraty, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro, um cerco de mergulho capturar mais de duas toneladas. São praticas de pesca predatórias que devem ser proibidas em pró da preservação destas espécies. Além disso, outro fator que tem contribuído para depleção dos seus estoques é a acentuada destruição dos estuários, através das dragagens e aterramento de áreas de manguezal, local de fundamental importância para seu ciclo de vida. Outro fator observado é a pulverização de herbicidas e pesticidas de forma indiscriminada para controle de pragas em lavouras próximas a rios, o que provoca alta mortalidade em larvas e alevinos. As medidas de preservação destas espécies no território nacional demonstram-se insuficientes e ineficientes. O Brasil possui mais de 8000 quilômetros de costa e a ampla distribuição geográfica dos robalos
no litoral, o que pode acarretar variação no seu período reprodutivo em função do gradiente latitudinal e diferenças climáticas, sendo este fato verificado em vários trabalhos científicos.Isto demonstra a importância de estudos locais para servirem como subsídio para a criação e normatização de um período de defeso reprodutivo de acordo com as características regionais. No território nacional existem apenas três períodos de defesos relacionados ao período reprodutivo decretados, sendo dois de âmbito federal estabelecidos pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) para os estados da Bahia e Espírito Santo, e um de âmbito estadual para o Paraná, os quais proíbem por tempo determinado a captura e comercialização de espécies do gênero Centropomusem águas litorâneas e continentais.

DEFESO

O defeso da Bahia é estabelecido pela instrução normativa do IBAMA Nº 49/1992, o qual proíbe a pesca do dia 15 de maio a 31 de julho de todos os anos.


O defeso do Espírito Santo é estabelecido pela portaria do IBAMA Nº 10/2009, proibindo a pesca do dia 1 de maio a 30 de junho.


O defeso do estado do Paraná, foi decretado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Paraná, através da resolução 060/2008, proibindo a pesca comercial do robalo-peva e para o robalo flecha de 1 de novembro até 31 de dezembro

Outra medida de preservação é o tamanho mínimo de captura, que é baseado no tamanho da primeira maturação sexual.
O tamanho mínimo estipulado pela instrução normativa nº 73/03N do IBAMA é de 30 cm para o robalo-peva e de 50 cm para o robalo flecha para todo território nacional.

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