APRENDENDO A PESCAR LULAS

Uma paixão dos pescadores cariocas está preste a aparecer em nossas praias.

Não é a toa que você encontra os melhores pontos de pesca de lula lotados: além de se excelente isca para a pesca a lula também é um ótimo prato servido de diversas maneiras.
Já teve épocas em que a lula encostava em nossas águas nos meses de novembro a fevereiro, mas devemos lembrar que esse crustácio depende das correntes maritimas, sendo sua migração longitudional da plaforma continental para o litoral em função da água quente da corrente do Brasil e esse ciclo pode mudar devido a fenomenos metereologicos e ocenaograficos.
Muita gente pensa que a maioria das especies migram do Sul pro Norte e vice versa, mas, na verdade, apenas se deslocam da costa pro mar aberto e vice versa dependendo da intensidade da corrente. É por esses motivos que a lula varia tanto nesses períodos. Levamos em consideração o aparecimento delas no ano passado entre os meses de abril e maio, mas esse ano as correntes chegaram mais cedo.

Características
As lulas são animais invertebrados do Filo Mollusca pertencentes à Classe Cephalopoda. A espécie mais encontrada nas águas cariocas é a Loligo plei, um importante recurso pesqueiro muito apreciado pela culinária, utilizada também como isca por pescadores. A principal característica destes animais é a presença da coroa de tentáculos que circunda a região da cabeça. Possuem a cabeça com olhos  bem desenvolvidos, a boca redonda, com um bico quitinoso. A  pele contém células pigmentadas, chamadas cromatóforos, que mudam de cor para efeitos de comunicação e camuflagem; esta mudança de cores é dada por ações nervosas diretas. Ao contrário da maioria dos moluscos possui uma concha interna conhecida como “pena”. São animais extremamente rápidos, tendo desenvolvido um sistema de propulsão na forma de jato, expelindo água da cavidade paleal para o exterior através dum tubo em forma de funil. Apresentam a chamada “glândula de tinta”, quando o animal é atacado, ele elimina o conteúdo preto da glândula, que o envolve em uma nuvem escura e lhe permite fugir do inimigo. Esta tinta é o famoso nanquim utilizado por pintores. Apesar de ser um molusco é muito procurada por pescadores amadores devido à captura extremamente divertida. No Rio de Janeiro geralmente sua captura é realizada em torno de ilhas costeiras, e é efetuada através do uso de zangarilhos (estruturas compostas por diversos ganchos), sendo este método utilizado por pescadores japoneses desde o século XVII.



As lulas são, junto com os polvos, alguns dos mais inteligentes dos invertebrados (animais que não possuem coluna vertebral), com um cérebro bem desenvolvido e maior em relação ao corpo dos animais do que a maioria dos peixes e répteis. Além disso, possuem um sistema nervoso sofisticado.
O corpo das lulas é envolvido em uma cavidade muscular e macia chamada manto, que fica atrás da cabeça. À medida que a água circula na cavidade do manto, ela passa pelas guelras, e a lula absorve o oxigênio para respirar. Abaixo da cabeça, existe um tubo chamado funil. Os excrementos são expelidos por meio do funil, assim como a tinta de defesa das lulas.

capturando lulas

Apesca de lulas com iscas artificiais, embora pareça muito simples, é um tanto técnica e requer alguma experiência do pescador. Apesar de ser um grande predador, a “corrida” de uma lula quando fisgada, é bastante suave e muitas vezes mal afunda a bóia que sustenta o chicote com as iscas, confundindo o pescador distraído. É preciso estar atento à bóia, observando seus menores movimentos. Como se trata de uma pescaria light, todo o material utilizado deve ser leve a fim de proporcionar uma maior sensibilidade aos ataques do animal.
Os pescadores, em geral, usam caniços longos, em torno de 3m de comprimento, de ação leve, e pequenos molinetes ou carretilhas e linha fina, até 0,25mm de diâmetro. Os caniços longos facilitam os arremessos com os compridos chicotes, e mantém a linha acima da crista das ondas.
As iscas artificiais apropriadas para a pesca de lulas são chamadas de zagarilho (ou zagareio). Seu corpo pode ser semelhante aos conhecidos plugs, com formatos variados, ou simplesmente cilíndrico. Geralmente são envolvidos por tecido, linha ou algum material que os torne mais ásperos ou aderentes. Em sua parte inferior há um ou dois,“chuveirinhos” de arame de aço contorcido e muito afiados nas pontas, semelhante a uma garatéia com várias pontas. Existem muitos tipos de zagarilho, entretanto, as conhecidas “bruxinhas” parecem ser as mais produtivas. Como não há fisga (farpa) nos arames pontiagudos dos zagarilhos, o grande macete para não deixar escapar uma lula fisgada, é não perder tempo no recolhimento da linha após o sinal da bóia e nunca deixa-la frouxa durante esse trabalho. É preciso ter sensibilidade para perceber quando há uma lula fisgada.
Normalmente utilizam-se as “bruxinhas” dispostas num chicote, em número de duas ou três. Na ponta inferior do chicote é preso um pequeno peso de chumbo (20/30g aproximadamente), ou uma “bruxinha” pesada, a fim de manter o conjunto na vertical.

Na parte superior e distante 2m aproximadamente, é presa a bóia que mantém o conjunto flutuando. Ao longo do chicote, as pernadas com as iscas (pernadas de 40cm aproximados), são presas de forma eqüidistante a um rotor de modo a deixa-las mais livres e evitar que se embolem. Para estimular o ataque dos moluscos à isca, através do olfato, uma pequena tira de isca natural, sardinha ou da própria lula, é presa à “bruxinha” com eslatricot, uma delgada linha elástica muito usada para este fim, facilmente encontrada no mercado. Isto não é imprescindível, mas certamente traz bons resultados. Assim como qualquer isca artificial, o sucesso das “bruxinhas” depende de alguns fatores. Existe uma grande variedade de cores e modelos, cujos resultados podem variar de acordo com o dia e o lugar, mas identificar qual a combinação mais produtiva é mera especulação. Isso caberia somente às lulas. Entretanto, observa-se que a combinação das cores vermelho e verde nas “bruxinhas” é a que vem apresentando os melhores resultados.
As bóias preferencialmente utilizadas são alongadas, do tipo “charuto”, que tem como vantagem oferecer menor resistência ao afundamento, tornando seus movimentos mais perceptíveis. E, como a pescaria pode se estender noite adentro, algumas são equipadas com bastões de luz química (starlight).

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *